O uso da música no manejo da Doença de Alzheimer auxilia na preservação do sentimento de identidade do sujeito e promove sensações de liberdade e afeto, possibilitando recordações de momentos agradáveis.

Data: 30/08/2021

Por: Maria Elisa Gonzalez Manso

O ser humano tem a capacidade de perceber a música (os sons, timbres, notas, melodias, harmonias e ritmos) de maneira integrada por meio da estimulação de regiões cerebrais. Por este motivo, a música tem sido alvo de pesquisas como forma de tratamento não farmacológico promotor de qualidade de vida em várias doenças neurológicas, dentre elas a Doença de Alzheimer.

Esta doença é considerada como a causa mais comum de transtornos cognitivos maiores ou demências, sendo uma doença neurodegenerativa caracterizada pelo declínio progressivo das capacidades cognitivas – prejuízo da memória recente, dificuldade de prestar atenção, de associação e orientação, lentidão do pensamento e da capacidade de executar tarefas- causada pela morte de células cerebrais, os chamados neurônios, levando à atrofia cerebral.

Visto a limitação da eficácia e os efeitos colaterais das terapias farmacológicas atualmente disponíveis para tratar a Doença de Alzheimer, as terapias não-farmacológicas têm ganhado espaço, uma vez que podem produzir melhora psicológica, da qualidade de vida, do bem-estar físico e socialização. Dentre estas terapias, destaca-se a musicoterapia.

Terapias musicais envolvem atividades cognitivas e motoras relacionadas ao processamento musical, por meio da estimulação de funções como audição, coordenação motora e processos cognitivos e emocionais, estimulando a plasticidade cerebral – capacidade do cérebro de se remodelar em função das experiências do sujeito.

A musicoterapia diz respeito ao uso profissional da música e de seus elementos em espaços educacionais, terapêuticos, médicos e no cotidiano. O uso da música no manejo da Doença de Alzheimer objetiva atingir as faculdades cognitivas, emoções, memórias e pensamentos, de tal forma que a música auxilie na preservação do sentimento de identidade do sujeito e promova sensações de liberdade e afeto, possibilitando recordações de momentos agradáveis.

Música e Plasticidade cerebral

Diversos estudam demonstram que a experiência musical estimula atividades cognitivas e motoras que envolvem o processamento da música, principalmente através da estimulação das funções de audição, coordenação motora e processos emocionais. Desta forma, promove modificações estruturais no cérebro e o aumento da plasticidade cerebral, bem como o maior volume no córtex auditivo e maior concentração de massa cinzenta no córtex motor. Ainda, a prática musical aumenta a conectividade cerebral entre neurônios, principalmente envolvendo as funções cognitivas.

Música e Memória

O prejuízo da memória é um sintoma característico da Doença de Alzheimer. Entretanto, estudos revelam que a memória para músicas familiares pode se apresentar bem preservada mesmo em estágios da doença avançado. Os estudos demonstram que informações de letras quando acompanhadas de melodias podem ser facilmente lembradas quando comparadas com apenas palavras faladas.

Música, Ansiedade, Humor e Comportamento

Os altos níveis de cortisol no organismo estão relacionados com o estresse e sintomas de ansiedade e depressão. Estudos demonstram que a musicoterapia, utilizada no trabalho individual ou em grupo, pode propiciar melhoras em sintomas de ansiedade e depressão, já que influencia o humor. Também promove a diminuição de distúrbios comportamentais relacionados aos estressores ambientais e nos causados pela própria progressão da doença, que levam à menor tolerância ao estresse. Ou seja, a música atua nos níveis de cortisol, minimizando o estresses e seus sintomas. Desta forma, traz sentimentos e emoções relacionados ao bem-estar e felicidade.

Deve-se destacar que o uso da arteterapia associada à música, demonstra melhoras na função cognitiva e no escore depressivo.

Fonte: Portal do Envelhecimento

Link da matéria: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-musica-como-pratica-terapeutica-na-doenca-de-alzheimer/

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