Diferenciais

Consideramos o princípio óbvio de que o conhecimento evolui. Isto acontece em qualquer ciência como todos sabem. No tratamento médico, por exemplo de uma isquemia cerebral, o médico não vai ignorar os últimos conhecimentos e se basear em conhecimentos de 50 anos atrás. Por que teria que ser diferente na psicanálise? Na psicanálise existiam “linhas” (ou orientações) divergentes dentro da psicanálise: freudiana, kleiniana, reichana, winnicottiana, bioniana, lacaniana, mesmo junguiana... Qualquer uma destas linhas pretendia ter uma teoria capaz de dar conta de todos os transtornos psicológicos. Desses fundadores de escola, os últimos a morrerem foram Bion, em 1979, e Lacan, em 1981. Que “linha” veio depois deles? Você saberia nomear alguma? Vejamos o que aconteceu. Depois de Lacan veio um psicanalista de renome, John Bowlby, com a teoria do apego. Mas com esta teoria, ele procurou compreender a personalidade borderline, transtornos de conduta e antissociais, bem como o luto normal e patológico e a ansiedade de −separação. Outros múltiplos transtornos, como personalidades narcisista, paranoide, histriônica, esquizotípica, entre outras, síndrome do pânico, depressão, fobia social, TOC, estresse pós-traumático, abuso sexual, bulimia, esquizofrenia, e vários mais, tiveram nomes importantes na sua compreensão ― e mesmo descoberta ― mas nenhum pretendeu apresentar uma teoria geral, ou “linha”, que abarcasse os transtornos mentais em geral. Porque procuraram observar melhor o paciente sem rapidamente se precipitar em construir intrincadas teorias. Foram fiéis à origem etimológica da palavra “clinica”: vem do grego klinike, que significa “junto ao leito do doente”, próximo dele. As teorias modernas são mais especificas de cada transtorno. A psicanálise contemporânea ficou mais empírica, mais exigente de provas. A partir dos anos 80, a psicanálise deixou de tirar seus conhecimentos apenas da prática clinica e passou a se aliar a centros de pesquisas em larga escala, universitários, e a publicar em revistas científicas, além certamente de livros. O volume de publicações cresceu acintosamente. A psicanálise utilizou-se das descobertas na neurociência, em boa parte para confirmar suas hipóteses. Até Lacan havia 9 tipos de transtornos na psicopatologia psicanalítica. Hoje no DSM-V (manual de transtornos mentais adotado em todo mundo ocidental e mesmo na Ásia) temos uma centena deles−cuja grande maioria vieram justamente da psicanálise contemporânea. A psicanálise contemporânea não tem mais as “linhas”, ficou praticamente homogênea, atravessando grande parte do mundo, sem os regionalismos da psicanálise antiga: inglesa, francesa, americana, e suas subdivisões.

No entanto, alguém poderia pensar que teria que estudar Freud primeiro, porque ele é básico. As operações aritméticas são básicas em matemática e precisamos sabê-las primeiro para depois apreender o resto, mas elas não mudam, enquanto as concepções de Freud foram largamente superadas e alteradas pelas novas descobertas. Vamos citar alguns nomes da psicanálise contemporânea presentes em nosso curso provenientes dos principais centros. Inglaterra: John Bowlby, Mary Main, Peter Fonagy e colaboradores, Jeremy Holmes. França: Boris Cyrulnik, Daniel Widelocher, Alain Braconnier, Pierre Marty, Muriel Salmona, Holanda: Bessel van der Kolk, Onno van der Hart. Alemanha: Werner Bohleber; Italia: Giancarlo Dimaggio. Israel:Mario Mikulincer, Bélgica: Patrick Luyten, EUA: Daniel Stern, Sidney Blatt, Glen Gabard, Nancy McWillians, Otto Kenberg, Mardi Horowitz.

A população atendida em psicoterapia alterou muito. Vieram pacientes com formação cultural e de camadas sociais diferentes daquelas dos pacientes de 30 anos atrás. Pacientes que já chegam com tratamentos psiquiátricos aumentaram exponencialmente. As técnicas psicoterápicas não poderiam ficar insensíveis a todas essas alterações tanto no reconhecimento de novas patologias como no trato com uma população diversificada de pacientes. Na medida em que os distúrbios foram se diversificando e melhor conhecidos na sua especificidade, as abordagens psicoterápicas foram se adaptando às características próprias de cada um deles, deixando de ter padrões rígidos válidos em geral.

Sem nos ater completamente a ela, seguimos a classificação dos transtornos mentais do DSM-V, para falarmos uma língua universal, nos entender com os psiquiatras, não ficar isolados. A nomenclatura mudou, por exemplo, não se encontra mais o termo “neurose” nas classificações oficiais contemporâneas, a “histeria”, como distúrbio singular, deixou de existir, foi substituída por dois transtornos distintos, transtorno conversivo e transtorno de personalidade histriônica.

Finalmente, a psicanálise que ensinamos não fica parada no tempo, busca se renovar, assim como não fica alheia ao avanço dos conhecimentos contemporâneos na neurociência, psiquiatria e em outras áreas. Independentemente da atividade profissional do aluno, o Curso de Psicopatologia, por estudar uma variedade enorme de transtornos ― que de longe pertencem à vida do dia a dia e não são restritos a “hospitais psiquiátricos” ―, por apresentá-los de forma mais real, em vez de abstrações, vai possibilitar ao aluno melhor discernimento com relação a pessoas que encontra em sua vida, também com relação a si mesmo, e, desta forma, possibilitar melhores escolhas, ajudar seus próximos, e evitar direcionamentos que o prejudiquem.

  • On-line | Ao Vivo
  • Sábado das 8h30 às 16h30 (quinzenais)
  • 24 meses
    • TURMA CONFIRMADA

      DATA DE INÍCIO: 
      26/03/2022

      Período de inscrição: até 03 dias antes do início do curso e mediante disponibilidade de vagas no momento da inscrição.

      Curso com 12 aulas presenciais (presencialidade opcional) com transmissão online e 35 aulas exclusivamente online.

      ATENÇÃO:

      A oferta atual deste curso será na modalidade síncrona, com aulas online ao vivo e mediadas por tecnologias, seguindo todas as regulamentações do MEC. Cursos com atividades em laboratório ou estágios contarão com a presencialidade respeitando as determinações governamentais e a disponibilidade nas unidades do Centro Universitário São Camilo.

      Configuração mínima recomendada:
      o 10MB de internet
      o Navegador Chrome, Firefox ou Edge atualizados
      o Webcam (opcional)
      o Microfone e som
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      o E-mail institucional para acesso a plataforma
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Coordenação

Wilson de Campos Vieira

COORDENAÇÃO TÉCNICA Graduação em filosofia…

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