Como a simulação clínica foi utilizada pela São Camilopara enfrentar a Covid-19 

Data: 19/01/2021

Dra. Ariadne da Silva Fonseca, referência em educação na área de Enfermagem e simulação clínica, foi a responsável pelo desenho e criação do Centro de Simulação da Rede de Hospitais São Camilo, em São Paulo, em 2014, do qual hoje é Gerente. É também Professora convidada da disciplina Simulação Realística como Metodologia de Ensino para a Prática de Enfermagem do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem da USP Ribeirão Preto e durante a pandemia esteve à frente dos treinamentos e das simulações clínicas para preparar as equipes do hospital para enfrentar a pandemia contra a Covid-19.

“Hoje não falamos mais em simulação médica, mas sim em simulação clínica, pois não são apenas os profissionais de saúde que precisam estar preparados, mas todos, desde os manobristas, a recepção, áreas de limpeza, entre outras. Por isso, logo que iniciou a pandemia, agimos de forma rápida com treinamentos em todas as áreas, com foco na segurança de todos os profissionais e pacientes. Fizemos um grandioso trabalho em equipe, montando protocolos e pudemos aprender com conversas diárias sobre pontos a melhorar. Cada instituição manteve também psicólogos e profissionais afins para amenizar o medo dos funcionários, principalmente das equipes de higiene, que se viram sob grande demanda e responsabilidade para manter todas as áreas constantemente desinfetadas e ainda com o risco de também serem contaminados”, explica. 

Especificamente em relação ao treinamento dos profissionais de linha de frente, a especialista explica que prontamente foram organizadas diversas simulações de curta duração e com poucas pessoas no Centro de Simulação São Camilo, com foco nas principais demandas da Covid-19, como manuseio de respirador, paramentação e desparamentação (momento possível de contaminação), além de lidar com o paciente crítico, como manuseio de posição prona, intubação, entre outros procedimentos específicos. “As simulações foram essenciais para preparar os profissionais que há anos não manuseavam os equipamentos exigidos para o tratamento da infecção por coronavírus ou para treinar aqueles que foram recrutados para atuarem nas UTIs e que vieram de outras unidades hospitalares. Com o treinamento, eles puderam atuar com maior segurança em relação às habilidades e aos mínimos detalhes no manuseio de equipamentos para evitar a própria contaminação”, salienta.

“Até meados de abril, chegamos a treinar em torno de 200 profissionais de linha de frente, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem para que pudéssemos fazer rodízio entre os profissionais. Além disso, transformamos algumas unidades em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender a demanda da melhor forma. Assim, conseguimos atingir o objetivo de passarmos por essa fase de forma tranquila – dentro do possível -, organizados e com profissionais treinados em segurança em nosso Centro de Simulação. Ajudamos também diversas outras instituições de saúde no treino de suas equipes para conseguirem enfrentar a pandemia que ainda estamos vivenciando”, diz.A especialista afirma que hoje o Centro de Simulação continua realizando constantemente simulações com os profissionais e estudantes da área saúde dos hospitais, do Centro Universitário e Escola Técnica Profissional São Camilo para diferentes cenários relacionadas ao Covid-19, como atendimento de um familiar de um paciente com coronavírus; paciente que está sendo atendido na enfermaria, outro que está na UTI e teve complicações e assim por diante. “Sempre mudamos os cenários para que os profissionais possam treinar tomadas de decisões importantes para estarem, de fato, prontos para qualquer tipo de situação que possam enfrentar nos atendimentos reais”.

Variante da Covid-19 

Quanto à nova variante da Covid-19, Dra. Ariadne acredita que os protocolos continuarão os mesmos. “O que se observa ainda é apenas no acometimento de pessoas mais jovens e na velocidade da transmissão do vírus. Caso ocorram outras mudanças nos sintomas e nas reações do organismo dos contaminados, ajustaremos as nossas simulações. Mas, acredito que serão apenas ajustes, porque, como os profissionais já foram treinados no início da pandemia, serão treinos curtos, com apenas alguns procedimentos adicionais”, explica.

A profissional diz ainda que com a ampliação do número de casos, algumas unidades de UTIs que haviam sido desativadas tiveram que ser reativadas e, com isso, novas contratações de profissionais da saúde também foram realizadas. “Por isso, a todo momento o nosso Centro de Simulação é utilizado para o preparo desses novos profissionais para que atuem em segurança”.

A especialista deixa o alerta ainda à população para que todos colaborem e continuem usando máscara, álcool em gel e mantenham o distanciamento social. “A vacina chegou, mas é importante ainda a colaboração de todos para que sejam vacinados e mantenham os protocolos de segurança. Somente dessa forma é que conseguiremos vencer essa doença”. 

Importância da simulação clínica 

Em 2006/2007, a Dra. Ariadne começou a conhecer mais de perto sobre a simulação clínica ao receber um convite para montar um centro de simulação para a universidade da qual era coordenadora do curso de enfermagem. Na época, a especialista foi conhecer o centro de simulação clínica do Hospital Albert Einstein, referência por ser pioneiro no Brasil, e também fez viagens internacionais para aprofundar os seus conhecimentos.

A partir de então, foi convidada também para montar o centro de simulação do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, época em que já trabalhava na Rede de Hospitais São Camilo. E, assim, logo surgiu também a ideia de construir um Centro de Treinamento Assistencial da Rede, que foi inaugurado em 2014, e que também atendia o Centro Universitário São Camilo. “A preocupação era na segurança dos profissionais e dos pacientes e na qualidade dos serviços prestados, não apenas no atendimento médico e dos profissionais de saúde, mas de todas as áreas”, explica a Dra. Ariadne. 

De acordo com ela, o Centro de Simulação foi uma grande quebra de paradigmas aos profissionais e estudantes da área da saúde e trouxe inúmeros benefícios à São Camilo: “Todo mundo que se forma já se considera pronto, pois tem o pensamento: já treinei, já estou trabalhando, já sei fazer. Mas temos visto que a simulação trouxe e traz muitos ganhos quanto à performance nas habilidades individuais: eu já sei fazer, mas eu posso fazer melhor. E é esse o objetivo da simulação. Quanto mais eu treino, mais eu me torno melhor naquela habilidade. Hoje o Centro de Simulação está vinculado ao Centro Universitário São Camilo, pois acreditamos que o processo de formação com qualidade, segurança e ética é fundamental para a vida profissional”.

Segundo a Dra. Ariadne, outra questão fundamental que a simulação atua é no trabalho em equipe. “Quando a gente treina habilidades, não basta ter apenas um médico bom, um enfermeiro bom, um técnico de enfermagem bom. Percebemos com a simulação – e talvez um dos maiores ganhos – o quanto tínhamos que melhorar enquanto equipe e relembrar sempre que um médico precisa aprender a trabalhar com o enfermeiro e vice e versa, e a equipe precisa trabalhar como um todo”, diz.

A especialista esclarece ainda que o lado comportamental também faz parte da simulação e que faz toda a diferença no preparo dos profissionais: “como atender o paciente, como preparar a família para um momento difícil sobre a morte de um filho, como comunicar os familiares sobre uma doença crônica, que são situações também difíceis para os profissionais e que precisam ser treinadas. E a simulação clínica nos proporciona o treino em um ambiente controlado e sem risco. Treinamos o falar olho no olho, a altura correta de nos comunicarmos, o tom de voz e até mesmo como comunicar e reconhecer um erro que nós cometemos. Dessa forma, com treino, todos estão mais preparados e melhoramos, assim, a qualidade do atendimento e a segurança do paciente”.

Exatamente pela importância da simulação em todos os âmbitos é que a especialista lançou em setembro de 2020, a 2ª edição do livro “Simulação Clínica e Habilidades na Saúde”, juntamente com Augusto Scalabrini Neto e Carolina Felipe Soares Brandão (Editora Atheneu), como contribuição aos profissionais e estudantes da área de saúde que tenham interesse em conhecer mais sobre o assunto.

Fonte: CIVIAM

Link da matéria: https://civiam.com.br/como-a-simulacao-clinica-foi-utilizada-para-enfrentar-a-covid-19/

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