Quando rir é coisa séria

Filha: Mãe, vamos tirar uma foto com os palhaços?
Mãe: Ah, filha, tira só deles. Eu não quero aparecer com esse curativo no olho.
Palhaço: Opa, minha senhora, não seja por isso! A gente cola esses post-it’s nos nossos olhos!
Opa, cuidado, ai! Desculpa! Vai, tenta de novo! Ai! Ei, falei para ter cuidado! Mais uma vez! Agora, vai! Foi! Assim, pronto!
Filha: Olha aí, mãe, os palhaços ficaram todos iguais à senhora. Quer tirar agora?
Mãe: Agora sim! Pode clicar!
“Flash”

 

E é dessa forma, com humor – e amor – nas alas dos hospitais que os palhaços (ou clowns) fazem com que os dias dos pacientes se tornem mais leves e alegres.

É fácil perceber, ao caminhar pelos corredores, que as pessoas param o que estão fazendo, mesmo que seja por um instante, e o sorriso surge espontaneamente no rosto de cada um. Pacientes, familiares, médicos, enfermeiros, pessoal da limpeza, vigias, ninguém fica indiferente. Impossível não ser dominado pela alegria contagiante que eles espalham, afinal, esses seres tão engraçados quebram a rotina hospitalar e resgatam a alegria da infância.

 

A história do Narizes de Plantão começou em 2010, quando alunos do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo queriam na graduação algo além do contato com as disciplinas técnicas. A ideia era praticar algo associado à arte, mas não sabiam nem como e nem por quê. Foi aí que encontraram um professor, que, além de biomédico, também era palhaço.

Formou-se então um grupo que, depois de encontrar pela primeira vez a linguagem do palhaço (ou clown), ficou com vontade para utilizá-la em hospitais. Com esse objetivo em mente, o grupo propôs um projeto de extensão para a faculdade, que aceitou e apoiou.

Depois desse primeiro grupo de alunos vieram outros, não só estudantes de Medicina, mas também de outros cursos ligados à saúde. Vieram também os hospitais, que são visitados semanalmente: São Camilo e o Hospital da Criança (São Luiz).

 

 

O projeto deu tão certo que em sete anos de Narizes de Plantão foram mais de 160 alunos treinados e mais de 44 mil encontros com pacientes, acompanhantes e funcionários.

O professor Dr. Mauro Fantini, fundador e coordenador geral do projeto, explica que o Ensino Superior na área da saúde é muito focado em conhecimentos técnicos, que são obviamente relevantes, mas isso acaba criando um hiato: habilidades socioemocionais não são muito exploradas. “Para suprir essa lacuna, eu realmente acredito no poder da arte como ferramenta de educação. A gente usa a linguagem do palhaço, embora outras abordagens como música, contação de histórias e dança, certamente têm muito o que ensinar”, diz Fantini.

Segundo o professor, ao participar dos treinamentos artísticos, habilidades como empatia, escuta, improviso e a capacidade de lidar com o erro são aguçadas nos estudantes. Habilidades essas importantes para quem vai atender pessoas no futuro. Participar das visitas aos hospitais dá ao estudante outra visão do ambiente hospitalar. É possível enxergar a diversão, a leveza e a conexão, bastando treinar o olhar!

“A vantagem de fazer parte do Narizes de Plantão é poder tornar-se um profissional da saúde mais completo”, diz Mauro, cujo sonho é aprofundar o trabalho, cada vez com mais qualidade, e, consequentemente, gerar um impacto maior nos alunos. “Também sonho em inspirar outras iniciativas similares em outros lugares. Gostaria que o Narizes fosse referência para outros grupos que já existem ou venham a existir”, conclui Fantini.

 

 

 

À medida que os participantes dos Narizes de Plantão se formam na faculdade, precisam deixar o projeto. E, dessa forma, a área da saúde vai sendo povoada por ex-palhaços nutricionistas, médicos, fisioterapeutas, biomédicos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e psicólogos. Profissionais muito mais sensíveis no que diz respeito ao trato humano. Alguns, dão continuidade ao trabalho de palhaço em outras frentes; já os demais, mesmo aposentando o nariz vermelho, sabem que a alegria, o riso, o “enxergar” o paciente com o coração é para sempre.

Narizes de Plantão

www.narizesdeplantao.com.br
www.facebook.com/narizesplantao

Fonte: Jornal SP Norte

Por: Sandra Kanashima
Postado em 6 de Abril de 2018

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