Principal aditivo químico da sociedade industrial, o café reduz a fadiga, aumenta o pique para o trabalho e tem ajudado a população a enfrentar a pandemia. Seu consumo vem crescendo.

Data: 17/09/2021

Por: Vicente Vilardaga

Segredo religioso guardado durante séculos pelos muçulmanos, e principal aditivo químico do Iluminismo e da sociedade industrial, o café é uma maravilha da natureza. Em plena pandemia, precisamos dele como nunca para manter o pique, o foco e cumprir nossas tarefas diárias, como o profeta Maomé o usou para restaurar suas forças em momentos difíceis.

E tudo sem qualquer efeito colateral para a grande maioria das pessoas. Ele traz doses extras de energia e alegria e poucos resistem a aproveitar suas fabulosas propriedades terapêuticas. Não por acaso, neste momento de crise global, há uma tendência de aumento de consumo do produto. No ano passado, o mercado brasileiro cresceu 1,34%, alcançando 21,2 milhões de sacas, embora tenha sido pressionado pela alta nos preços e pela mudança do modelo de negócio, reorientado dos bares para as residências, por conta das restrições sanitárias. Mesmo com cortes na produção, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima em seu último relatório que o consumo brasileiro alcançará 23,7 milhões de sacas em 2021.

Fruta nativa da Etiópia, o café era usado como energético pelos guerreiros locais e passou a ser preparado como bebida no mundo árabe, de onde vieram as primeiras sementes contrabandeadas para a Europa no século 17 e depois para as Américas. Desde então, beber café se tornou um hábito quase indispensável no Ocidente.

É um hábito que não se confunde com qualquer tipo de dependência química e que está relacionado com a convivência e a produtividade. Oito em cada dez brasileiros consomem o produto regularmente e querem mais, seja o cafezinho básico ou as versões especiais, com sementes selecionadas e misturas de variedades. Pesquisas da indústria indicam que cada brasileiro bebe em média de 3 a 4 xícaras de café por dia, uma quantidade saudável. O consumo per capita no País gira em torno de 5 Kg por ano.

A cafeína é um alcaloide que dispara uma fascinante reação química no organismo, que envolve vários neurotransmissores, contribuindo para manter a mente desperta e melhorar a cognição. Entre outros benefícios, o café ajuda na concentração, acaba com dores de cabeça e turbina o desempenho dos atletas, aumentando a queima de gordura durante os exercícios.

Seu único malefício talvez seja o excesso e a eventual perda de sono, quando consumido durante a noite. “A cafeína inibe o cansaço, contendo a ação de um neurotransmissor chamado adenosina, sinalizador de fadiga”, afirma o neurologista Fábio Porto, professor do Centro Universitário São Camilo. “Ela é o psicoestimulante mais usado no mundo e também o mais seguro que existe”.

Segundo Porto, a dose ideal diária para adultos saudáveis com até 70 anos vai de 300 a 400 miligramas por dia, mas isso varia entre cada indivíduo. Ele ressalta que outra característica da substância é sua permanência prolongada no organismo. O efeito mais intenso é atingido uma hora depois do consumo, mas a cafeína ainda causa reflexos no sistema nervoso por até oito horas.

A empresária Isabela Raposeiras, dona da cafeteria Coffee Lab, na Vila Madalena, em São Paulo, não se surpreende com a força do café no mercado, mesmo num momento de retração econômica, mas lembra que a cafeína está longe de ser o único atrativo químico da planta. O produto possui várias substâncias antioxidantes e mais de mil compostos aromáticos, o que lhe proporciona uma infinidade de variações de sabores e outros benefícios para a saúde.

As mudanças na forma de consumo do produto são verificadas também nos cafés especiais em que a moagem costuma ser feita na hora, preservando elementos voláteis. Cada vez mais consumidores exigentes moem o grão em casa para aproveitar as melhores propriedades do produto. Existem duas espécies de café, a Coffea arabica e a Coffea canephora, a primeira, a mais consumida no mundo, tem cerca de 1% de cafeína e a segunda, chamada de robusta, 2%. “A cafeína é a droga ideal para ser usada durante a manhã e até o final do dia”, explica Porto. “À noite ela pode não ser tão boa porque é importante diminuir a atividade intelectual e deixar a adenosina atuar.”

“Na pandemia, o consumo aumentou pelo fato de se tratar de uma bebida social”, afirma o engenheiro Ensei Neto, consultor em gestão sensorial de bebidas e alimentos. “O café se tornou o símbolo das reuniões pela internet e está sendo muito bebido no home office porque ajuda a concatenar as idéias”.

O Brasil é o maior produtor do mundo e o segundo maior consumidor em volume, só superado pelos Estados Unidos. Em consumo per capita, porém, perde de longe da Finlândia, onde cada cidadão consome 12 quilos por ano, para a Noruega e para outros países nórdicos, onde as pessoas vivem muito. É possível que o uso frequente do café até aumente a longevidade.

Seja como for, o mundo descobriu há muito tempo que sem cafeína encarar a rotina diária fica muito mais difícil.

Fonte: Isto É

Link: https://istoe.com.br/o-poder-da-cafena/

 

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