Doses seriam da vacina AstraZeneca e quantidade aplicadas partiram após levantamento realizado a partir de dados oficiais do Ministério da Saúde

Por: Maiara Dal Bosco

Data: 04/07/2021

Goiânia teria aplicado 60 vacinas vencidas, segundo levantamento divulgado a partir de registros oficiais do Ministério da Saúde (MS). De acordo com o DataSus, as vacinas fazem parte do lote 4120Z005, do laboratório AstraZeneca/Fiocruz e teriam sido aplicadas no dia 14 de abril no município. Entretanto, em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) garantiu que não houve aplicação de doses vencidas da vacina AstraZeneca na população. De acordo com a pasta, as vacinas chegam do Ministério da Saúde com prazo de validade de aproximadamente dois meses e não ficam guardadas. A secretaria reforçou que tem aplicado as doses que recebe em até quatro dias e, após isso, chega a ficar sem vacinas no estoque.

Ainda segundo SMS, como Goiânia faz vacinação em locais como drive-thrus, onde não é possível lançar imediatamente as doses no sistema Conect SUS, os dados são anotados manualmente e depois lançados do sistema. Assim, a pasta explica que em alguns casos houve erro neste lançamento posterior. Ou seja, ao invés de colocar a data de aplicação, acaba sendo inserido a data do lançamento no sistema.

Especialistas

O jornal O Hoje ouviu especialistas para compreender como é o processo da validação das vacinas e quais problemas poderiam ocorrer em caso de aplicação de imunizantes vencidos. O médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta, explica que as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil contam com uso emergencial aprovado, e assim, a cada lote que chega, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concede um prazo mínimo de validade de 6 meses. “É provável que essas vacinas tenham validade maior do que o prazo estipulado. Elas são recebidas diretamente da fábrica com um prazo de validade, em outros casos, receberam novos frascos ou rótulos. Por exemplo: a Fiocruz colou uma etiqueta, porque não se pode administrar medicamentos sem que esteja com informações em português, e o Ministério da Saúde distribuiu as doses.

Nesse intervalo, com uma logística nem sempre com noção de urgência, é possível que tenha havido a responsabilidade pelos prazos estarem curtos. O ideal seria que chegassem com 6 meses de validade, mas têm chegado com prazo mais curto”, destaca. O médico pontuou que todos os controles de validade e das condições dos medicamentos e das vacinas fazem parte dos procedimentos padrão do Sistema Único de Saúde (SUS). “Se tem uma vacina ou qualquer medicamento com problema de validade, quem aplica a vacina deve atestar, recolher e guardá-las e depois a Vigilância Sanitária decide sobre a destinação. Mas, em todo caso, o profissional não deve realizar a aplicação. Esta é uma questão técnica importante.”, destaca Sérgio.

Sérgio Zanetta também exemplificou o caso do imunizante Janssen, da Johnson & Johnson. “A vacina da Janssen chega próxima ao prazo de validade porque os Estados Unidos da América (EUA) deram prazo de validade de 3 meses. Porém, a Anvisa observou que era possível com imensa margem de segurança a aplicação desta com no mínimo mais 45 dias.

Assim, a Janssen provavelmente pode receber o mesmo rótulo ou o informe técnico informando o prazo que é aumentado”, explica o médico. De acordo o especialista, as pessoas não devem se preocupar se houver a confirmação de que foram vacinadas com imunizante vencido. “É preciso haver tranquilidade. As pessoas devem aguardar a orientação da autoridade de saúde local ou procurar a Secretaria Municipal de Saúde para tirar alguma dúvida”, pontua.

Já para o infectologista do curso de Medicina da Unicid, Dr. Renato Grinbaum, existe a possibilidade, mas não a certeza de que pessoas imunizadas, porventura, com vacinas vencidas não tenham adquirido a proteção. “Isso vai depender do intervalo que aconteceu essa imunização e vai depender do tempo com que as vacinas estavam vencidas, sendo uma questão individual”, explica.

Para o infectologista, é importante que nenhum exame de laboratório seja feito para verificar se houve, de fato, a imunização. “Não é recomendada a realização de sorologia ou demais testes, já que nenhum deles dará a resposta se houve a imunização”, destaca. Para Renato, o correto seria imunizar novamente as pessoas que receberam essas vacinas. “Especialmente aquelas cujas vacinas estavam vencidas a um período mais longo”, finalizou o especialista. 

Fonte: Jornal O Hoje 

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