Palavra da Reitoria

 

 

Nesta edição, com o tema central, A Atuação dos Profissionais da Saúde nas Diferentes Etapas da Vida Humana: Desafios e Perspectivas, o III Congresso Multiprofissional do Centro Universitário São Camilo, tem por objetivo, além da criação e manutenção de uma ambiência universitária de pesquisa e estudos sobre assuntos da atualidade e suas consequências, busca, por conseguinte, a integração da formação acadêmica com as mais avançadas práticas assistenciais que deverão fazer parte do dia a dia do profissional da área da saúde.

Na condição de instituição de ensino, cujo compromisso é a formação das novas gerações de médicos, enfermeiros, bioquímicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, entre outros, não podemos nos furtar da responsabilidade de prepará-los para o melhor enfrentamento dos desafios éticos e técnicos que estas profissões os submetem pela própria natureza da complexidade humana, agravada pelas contradições de uma realidade que oscila entre a oferta excessiva de recursos tecnológicos à extrema carência de elementos básicos da prevenção.

Por tudo o que temos presenciado nos últimos anos em termos de transformação na assistência sanitária, nas descobertas dos novos fármacos, na aplicação de métodos inovadores de assistência, no uso de equipamentos ultrassofisticados e procedimentos cirúrgicos, com o auxílio da tecnologia robótica, pode-se dizer que estamos, ao mesmo tempo, no limiar do maior avanço do cuidado terapêutico e do impulso da longevidade da vida humana, em contrapartida, questionamentos como a qualidade da vida prolongada, a decisão e direitos do paciente, são temas bioéticos, muitas vezes, não considerados.

No sentido de melhor enfatizar a complexidade do tema aqui abordado, vale ressaltar que em se tratando da realidade brasileira, em que pese, a importância de todos estes avanços, não estamos diante de um problema de fácil solução, uma vez que não é apenas uma questão de investimento em tecnologia de ponta, ou de investimento de infraestrutura de hotelaria hospitalar e arranjo arquitetônico, mas de um sistema de saúde ineficiente que ocasiona a persistência do aparecimento de doenças tropicais há muitos anos já erradicadas. Tal realidade faz com que a intervenção no processo saúde-doença se torne mais dispendiosa e complexa, o que nos faz chegar à seguinte conclusão: Como o atual modelo de assistência não consegue atender os problemas emergenciais da população e tem alimentado o surgimento de uma concepção ultra especializada em saúde, as consequências de tudo isso é que estamos chegando nos limites da obstinação terapêutica para alguns privilegiados, em detrimento do investimento em atenção básica para muitos e extensiva a programas de prevenção com maior cobertura para a população mais vulnerável. Ainda como agravante deste quadro, podemos nos incorrer no desrespeito a valores inaliáveis da dignidade humana como por exemplo, o direito de ser ouvido, e os princípios da beneficência e da autonomia do paciente.

Finalmente, pensar na melhor forma de atuação da profissional da saúde nas diferentes etapas da vida humana é assumir o compromisso da imprescindibilidade de que o ser humano, quer na condição de agente, quer na condição de assistido, seja colocado como fator principal em qualquer procedimento da assistência nos níveis primário, secundário e terciário.

Pe. João Batista Gomes de Lima, Reitor do Centro Universitário São Camilo.

 

 

Analisando a letra da música “Circle Of Life” (Ciclo da Vida), do cantor e compositor inglês Elton John, percebo que ela faz uma reflexão a respeito das diferentes etapas da vida. Vejamos:

“Desde o dia que chegamos ao planeta e, piscando, vamos para onde há sol. Há mais a ser visto além do que jamais poderá ser visto. E mais a fazer do que jamais poderá ser feito.
Alguns dizem "devore ou seja devorado". Outros sugerem "viva e deixe viver". Mas todos concordam, enquanto se juntam à manada, você nunca deve tirar mais do que dá.
O ciclo da vida é a roda da fortuna, é o salto de fé, é a faixa da esperança, até encontrarmos nosso lugar.
No ciclo da vida, nos caminhos que se desenrolam, alguns de nós caem pela estrada e outros alcançam as estrelas. Muitos navegam através dos nossos problemas enquanto outros tem que viver com as cicatrizes”.

 
No ciclo da vida, dentre todos os seres vivos, o ser humano é o que certamente mais necessita de ajuda. Afinal, desde o momento da concepção, além do cuidado maternal, é acompanhado por profissionais da saúde.

A partir de então, vêm as três principais fases da vida. O nascer, o viver e o morrer, com ganhos e perdas que teremos ao longo da vida. Ao nascermos, primeira grande perda da vida, perdemos o conforto do ventre materno onde a temperatura é a ideal, a alimentação na hora e na dose certa e principalmente a proteção e o carinho materno. Por outro lado, ganhamos um mundo maior, com mais possibilidades e liberdade. Descobrimos que, além de uma mãe, temos também um pai, irmãos, avós, tios, primos, enfim, um mundo que nos espera e nos acolhe.

Essa primeira experiência nos ajuda a aprender que, ganhar e perder farão parte de toda a nossa vida. Algumas perdas, conseguiremos assimilar, contornar individualmente e até mesmo adiar. Outras, que infelizmente nos levarão à morte, independem de nós. Dentre elas destaco duas especificamente: os acidentes (doenças) e a velhice. Esta, foge quase que completamente do nosso controle. No entanto, a ciência e a tecnologia dispõem de recursos que podem proporcionar uma maior qualidade de vida e saúde em todas as etapas da vida dos seres humanos.

Por outro lado, surgem questionamentos se os profissionais devem ou não fazer uso de todas as tecnologias que estão disponíveis para prolongar essas etapas, ou ainda, se ao invés de acrescentar anos à vida, não seria mais prudente acrescentar vida aos anos.

Por isso, acredito que a comissão organizadora do III Congresso Multiprofissional do Centro Universitário São Camilo foi muito feliz na escolha do tema. Pois, se saúde é um assunto que interessa a todos, apresentar pistas que venham ajudar os profissionais da saúde a cuidar das pessoas nas diversas fase da vida, é digno de louvor.

Aproveito a oportunidade para parabenizar os organizadores deste congresso. Que os conhecimentos que serão partilhados durante o evento, façam com que todos estejam mais aptos para cuidar, como dizia São Camilo de Lellis, colocando o coração nas mãos. Ou seja, com amor e competência.

Anísio Baldessin, Vice Reitor e Pró Reitor Administrativo do Centro Universitário São Camilo.

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